Só trêis veiz!

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Maneli no leito de morte, decidiu ter uma conversa definitiva com a sua companheira de toda a vida sobre a fidelidade da mesma:

– Muié, pode falá sem medo… já vô morrê mess e prifiro sabê tudim direitim….

– Ocê arguma veiz traiu eu?

– Ô Maneli, num fala dessas coisa que eu tenho vergonha….

– Pode falá muié…..

– Quero não…

– Fala muié, disimbucha…

– Mió dexá pra lá, Maneli.

– Vai, conta…

-Queto Maneli, morre em paz…

Depois de muita insistência ela resolveu abrir o jogo:

-Tá bão Maneli, vou contá, mais numi responsabilizo…

– Pode contá.

– Ói Maneli, traí sim, mas foi só trêis veiz.

– Intão conta sô! Trêis veiz nessa vida toda até qui num foi muito!

-A primera foi quando cê foi demitido daqueli imprego qui ce brigou cum chefe.

– Ué, mas eu fui adimitido dinovo logo dispôis sô..

– Pois é Maneli…eu fui lá cunversá cum ele, acabei dano pra ele e ele ti contratô di vorta.

– Ah, muié, cê foi muito boa cumigo… essa traição num dá nem pra leva a mar, foi pela necessidade da nossa famía…tá perdoada. E a segunda?

– Lembra quando cê foi preso pru modi daquele furdunço que cê prontô na venda?

– Lembro muié, mas num fiquei nem meio dia na cadeia.

– Pois é Maneli…eu fui lá cunversá cum delegado e acabei dano pra ele ti sortá.

– Ê muié, isso nem conta também não, a carsa foi justa… imagina ficá preso lá um tempão. Ocê nem me traiu, foi pela nossa famía e pela minha liberdade, uai.

E a úrtima?

– Lembra quando cê si candidatô pra vereadô?

– Lembro muié…quase me elegeru.

– Pois é… eu qui consegui aqueles 1.752 voto…